terça-feira, 13 de março de 2012

Relato Santa Bárbara 13/03/12 - Reunião dos Pais

Hoje cheguei a Escola Santa Bárbara juntamente com o meu colega Rodrigo Sá.

Logo ao chegar percebemos algo diferente. Primeiro tivemos dificuldade de encontrar Maurício e sentimos a escola mais silenciosa e vazia. Ficamos no pátio principal esperando até que Maurício aparecesse, não demorou muito e ele surgiu nos corredores da escola. Aí, ficamos sabendo que naquele dia haveria reunião dos pais com todas as turmas e por isso a movimentação estava um pouco diferente. Ele estava indo de sala em sala se apresentar para os pais e falar um pouco das aulas de música enquanto as professoras generalistas administravam o restante da reunião com suas turmas respectivas. Nesse instante ele se dirigia para a sala do 2° ano e, obviamente, fomos convidados a comparecer na sala também. Nessa turma, como de surpresa, muitos pais compareceram para a reunião. Todos estavam com uma bola de soprar, amarela, cheia, nas mãos, e haviam escrito algo nelas que não consegui identificar. Maurício iniciou se apresentando para os pais e nos apresentando também como participante do PIBID e professores de música que estarão em breve saindo da universidade. Ele falou um pouco do trabalho, do que é feito na aula de música, o que se pretende fazer neste ano e tudo de positivo que se conquista através do trabalho musical. Logo após, ele se retirou da sala mas sugeriu que ficássemos para assistir ao restante da reunião. Nesse momento tivemos as maiores surpresas. A professora generalista, após uma breve elucubração sobre educação abriu uma rodada para que os pais pudessem se apresentar, falar um pouco dos seus filhos e desejar algo de positivo para eles e para a escola. Muitos foram bastante sinceros em dizer que seus filhos são peraltas e que poderiam estudar mais. Muitos também elogiaram a conduta dos filhos que estudam e fazem questão de ir pra escola porque gostam. Mas uma mãe me chamou muita a atenção quando no seu relato disse que colocou sua filha no Santa Bárbara porque na escola que a filha estudava antes, um aluno furou o olho do colega com um lápis. Isso me fez pensar muito. O tamanho dos problemas vivenciados pelas escolas, na luta dos professores, no estado em que nossa sociedade se encontra, e no meu papel como educador, em como contribuir para melhorar esse quadro, nem que seja um pouquinho. Enfim. Ainda, pra terminar de forma mais inquietante, a coordenadora pedagógica apareceu na sala para se apresentar e falar um pouco sobre o trabalho da escola. Ela iniciou dizendo quem era, qual era o seu papel e falando que os pais poderiam procurá-la quando houvesse qualquer problema. Mas em um momento ela começou a pontuar as dificuldades de aprendizado dos alunos e a falar da responsabilidade dos pais nesse processo. Até ai concordo. Porém, ela começou a comparar a escola particular com a pública, dizendo que na escola particular os pais estão mais presentes, ficam em cima dos filhos e por isso as coisas funcionam. Como se os pais tivessem que tomar isso como referência. Não concordei, considerando que a realidade da escola particular é diferente da escola pública, o modelo escolar lá funciona, não necessariamente porque os pais cobram dos seus filhos, mas porque, este modelo que aí está foi concebido para a elite. No ensino público a dinâmica é outra, as demandas são outras. Ainda de forma surpreendente houve um comentário assim: "As crianças aprendem a cantar, aprendem a dançar, então vamos investir na aprendizagem de fato", e apontou para um caderno em cima da carteira. Pensei. Então quer dizer que cantar não é aprendizagem de fato? Dançar também não? Mas logo me conformei e entendi que ainda o que se tem por aprendizado é a assimilação de conteúdo. Vivemos ainda uma escola conteudista, infelizmente. Perdoei-a.

Logo após a coordenadora se retirar da sala, a professora fez mais uma breve fala e encerrou a reunião. Nesse momento procuramos Maurício, e ele estava encerrando mais uma apresentação em outra sala. Após ele terminar fomos para a sala dos professores conversar um pouco. Ele nos mostrou algumas idéias de propostas para esse ano. Como um trabalho de junção da matemática com a música, por sinal muito interessante. Uns 15 minutos depois começou outra reunião na mesma sala agora com todos os professores e a diretora. A pauta era a respeito de um kit de jogos de raciocínio ganho pela escola, onde todas as turmas, exceto a do grupo 5, irão receber. Nesse projeto o aluno ganha um kit, o professor outro, e mais um fica nas dependências da escola. A diretora explicou todos os pontos do projeto, e após isso fomos liberados.

Saí de lá por volta das 11:00h.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ausência na terça

Infelizmente, devido a um mal estar tremendo na madrugada de segunda para terça, não tive condições de ir a escola Santa Bárbara para fazer a minha observação. Tudo ocorreu de forma tão intensa que até para avisar foi complicado. Já estou melhor, pronto para a semana que vem.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Primeira visita - Carmelitana

Na segunda feira fiz minha primeira visita à Carmelitana. Já tinha visitado a escola em outra oportunidade e sabia da sala específica de música bem arrumada que iria encontrar. O que não esperava era uma sala tão organizada. Fiquei muito empolgado com as várias possibilidades que vi diante de mim só pelo fato de existir naquela escola uma sala específica para nossas atividades - naturalmente que Davi merece todos os créditos, afinal de contas, nada vem de graça, especialmente nas escolas.

Ao chegar, Davi estava expondo alguns tópicos para os meninos na biblioteca. Todos sentados naquele calor psicodélico das 13h. Logo em seguida fomos para a sala e Davi foi nos mostrando todos os instrumentos que tinha por lá - além dos outros materiais.

Foi basicamente uma visita de reconhecimento de terreno. Gostei bastante do lugar. Logo na saída, Davi nos mostrou o esboço do projeto "Todo Dia é Dia de Leitura" que o Carmelitana vai tocar para frente. Viciado em livros como sou, me prontifiquei a ajudar no que fosse necessário e retifico aqui meu apoio - a biblioteca, por sinal, estava divinamente organizada e já fiquei com vontade de pegar uns dois ou três emprestados. Ótimo ambiente! Resta agora ser bem utilizado.


Feliz pelas grandes possibilidades...

"Lar doce...Escola" (?)

Esta foi a principal reflexão que fiz ao visitar a Escola Carmelitana esta semana. Após o acolhimento (Oração de agradecimento e entoação do hino nacional antes de iniciar as aulas), o professor Davi levou duas turmas com seus respectivos professores, para a mais nova sala de vídeo e biblioteca e, em forma de slides, mostrou para os meninos uma retrospectiva das atividades e conquistas da escola em 2011, além de falar sobre as novas perspectivas para 2012, repetiu para os alunos algumas das regras básicas não só de educação, mas também de higiene pessoal, inclusive avisando as meninas ( e nem mesmo as professoras escaparam! ) que elas não devem usar maquiagem, bem como as regras para o uso do fardamento.Ele comentou conosco, que era muito comum ver as crianças sem tomar banho direito a ponto de deixar marcas no corpo (“lodo”), bem como caso de piolho, etc.Fiquei pensante...

Após a apresentação, o professor comentou comigo e com meu companheiro, Pedro, sobre casos de crianças que tinham comportamentos estranhos (muitas vezes agressivos) na escola e, ao sondar qual seria o motivo, sempre acabava descobrindo problemas pessoais graves, muitas vezes relacionados à própria família. Aproveitei o ensejo e fiz a tal pergunta que não quer calar (coloquei no presente de propósito): “A escola é ou não é a segunda casa do aluno?”. O professor Davi me respondeu com outra pergunta: “E não era pra ser?”

Ora, a nossa casa é o lugar onde nós ficamos “à vontade”, onde mostrarmos para todos a nossa verdadeira face, onde manifestamos com mais clareza as nossas qualidades e defeitos e, como conseqüência, recebemos um acolhimento e repressão muito maior do que se estivéssemos “na rua”. A nossa vovó sempre dizia, “A mãe olha aonde bate, mas a polícia, não” (poupemos nossa velhinha das considerações sobre a atual “lei da palmada”). Sendo assim, na “primeira casa”, recebemos a tradicional “educação doméstica” que engloba higiene, etiqueta, religiosidade, etc. Lugar de aprendizado primário.

Já a nossa escola, como “segunda casa”, cuidaria de ministrar o conhecimento, promover o entendimento e racionalização do meio social e desenvolvimento de habilidades específicas para a futura inserção ao mercado de trabalho.

A pergunta-resposta do professor Davi, então, traz para nós uma reflexão de como nós estamos carentes de um lar. Pode parecer meio “piegas” dizer isso, mas ,como ele mesmo me disse, “o governo vive a falar em desenvolvimento, investimento e carência de educação, mas uma educação apenas ligada ao conhecimento”, ou seja, à segunda casa; todavia, como terei uma casa de veraneio se estou “sem teto”? Como ter conhecimento sem esse tratamento primário que é a base para nos desenvolvermos, seja como intelectuais ou profissionais? Nós estamos muito mais carentes de uma família (um lar), essa conversa de educação é para aqueles que têm uma vida privilegiada, não para os meninos da carmelitana, que tiveram que contar com os próprios professores para fazerem o almoço, pois não havia cozinheira para realizar o serviço nesta segunda feira.

“Vamos orar agradecendo o nosso alimento, pois existem pessoas que não tem nem isso para comer” Diz Davi para os alunos para conscientizá-los desde cedo para a sua realidade.

Vamos alimentar as nossas crianças, os nossos estudantes e todos aqueles que toparam comprar uma briga por um ensino de qualidade através das ações de nosso grupo; mas vamos, principalmente, em nosso dia a dia, alimentar a esperança das pessoas de (re) construírem a primeira casa das próximas gerações, caso contrário, teremos cada vez mais bacharéis, médicos, advogados e professores insensíveis por que não tiveram (e nem têm) um teto (lar) decente para morar.

2ª Visita à escola Santa Bárbara

Grupo cinco

O professor entrou na sala dos pequenos e foi apresentado pela professora generalista. Ela falou-lhes que ele era o professor do qual ela tinha falado.
O educador começou pedindo às crianças que formassem um círculo. Elas tiveram um pouco de dificuldade de fazer uma roda arrumada. Ele as foi indagando se o espaço que tinha ficado para ele e eu daria para sentarmos confortavelmente. As crianças num primeiro momento disseram que sim e aos poucos ele foi as conduzindo a arrumá-la de modo que todos se olhassem nos olhos e que ficasse confortável para todos. 
Em seguida, fez uma atividade de apresentação dos nomes com eles, utilizando uma paródia da música "Eu sou pobre de marré de si". A letra utilizada inseria o nome de cada criança, uma após a outra ( O meu nome é...e o seu como é que é (2x)).
O professor um pouco depois fez uma atividade, ainda com o nome das crianças, onde elas faziam um gesto a partir da quantidade de sílabas dos nomes.
Logo depois cantou a música Peixinho vermelho. Foi aos poucos conduzindo as crianças a cantar a música com a letra. Para isso seguiu um processo em que ia passando o ritmo da música e a melodia até que as crianças a conseguisse cantar de forma articulada.
Além disso, cada criança disse uma música ou cantor do qual gostava. Ele pediu para que elas cantassem. Um dos alunos pediu para cantar uma música do Justin Bieber ( Baby, Baby, Baby, oh...), sendo acompanhado pelo professor ao violão. Os demais não se sentiram muito a vontade para cantar, mas disseram ao menos o nome de um cantor que gostavam.
Algo que me chamou a atenção foi que eles ficam em uma sala onde as cadeiras e mesas ficam dispostas de maneira diferente em relação aos meninos do 1° e 2° ano e como as coisas acontecem de maneira muito natural. As crianças que querem participar das atividades ficam livres para escolher se querem ou não, tendo inclusive, algumas crianças que conversavam sem que o professor as ordenassem a ficar em silêncio.

1° Ano

Entramos na sala desejando bom dia aos meninos. O professor começou a aula relembrando a música cantada na semana passada (Cadê meu relógio que eu botei no chão...). Com essa música ele trabalhou figuras como semínima e colcheia tocadas nas clavas e intensidade, comparando o som fraco a uma formiga e o som forte a um elefante.
Um pouco depois ele relembrou a música "Fazendinha do mestre Zé, também cantada na semana anterior, onde as crianças iam imitando sons de bichos que eram sugeridos pelo professor.
Depois utilizou uma atividade em que escrevia figuras, tais como: triângulo-bater o pé; x-UUUU (as crianças faziam o som com a boca); o- palma. Introduziu outro figura, não utilizada na semana anterior e propôs aos meninos que fizessem a atividade de trás para frente. Achei até que eles teria mais dificuldades, porém, eles executaram muito bem o que estava descrito no quadro.
Por último, ele combinou com os meninos que fariam uma surpresa à professora da turma. Ensaiou a música   "Cadê meu relógio que eu botei no chão...". Quando a professora voltou para se despedir dos meninos o professor tocou a música ao violão e eles o acompanharam com as clavas da mesma maneira anteriormente mencionada. Nos despedimos deles e fomos embora.
É importante ressaltar a desenvoltura dessa turma. Os meninos são pequenos, mas tem facilidade de compreender a hora de começar e terminar a música e muitos deles conseguiram compreender a hora de mudar a célula rítmica. Tudo isso por conta de boa parte deles já terem aula de música desde o grupo cinco.

2° Ano

Nessa turma o professor começou a aula relembrando a música "Loja do mestre André". Os meninos foram  imitado os instrumentos sugeridos pelo professor. Um deles na hora do teclado imitou um violino. O educador logo o corrigiu lhe mostrou, ou melhor, o fez enxergar a maneira correta de imitar um tecladista.
Logo depois começou a indagar-lhes sobre o que tinha acontecido na aula passada e em seguida pediu para que fosse formada uma roda para que fosse realizada outra a atividade. A atividade posterior foi a de fazer um gesto e falar uma "língua maluca". Os meninos a fizeram sem nenhum problema e surgiu muitos sons engraçados.
Por último, por conta do recreio, o professor teve que interromper sua aula.
O curioso é que a escola não permite que os alunos saiam da sala na hora do intervalo, pois, existe uma rixa entre moradores de ruas diferentes do Bairro do Uruguai, ou seja, algumas crianças não brincam com crianças dessas ruas para que não haja violência entre elas, situação que alcança os domínios da escola. Além disso, quando o professor entra na sala para dar sua aula, tem que ir aos poucos liberando os meninos para ir ao banheiro e beber água. Algo que dificulta o andamento da aula.

Nova percepção das turmas

Relatório de observação santa Barbara 06/03/2012

Segundo ano

Professor Mauricio iniciou a aula tocando violão com uma nova versão para a música da fazendinha do Zé. A melodia já conhecida dos alunos teve uma nova versão agora com os instrumentos musicais na loja do mestre Andre.

“Ô La La ô Le Le fui à loja do mestre Andre ( 2 vezes )

foi La na loja do mestre Andre que eu toquei?

Violão, piano, violino, sanfona...

Logo depois, Mauricio testou a memória dos alunos perguntando sobre o que tinha ocorrido na aula passada. Mais adiante foi formada uma roda e pedido aos alunos que fizessem um movimento corporal junto com um movimento na língua chamado de língua maluca.

Na turma do primeiro ano

a aula foi iniciada com a música do relógio, seguida da música da fazendinha do Zé. Na música da fazendinha, Mauricio utilizou as clavas marcando o tempo na primeira parte e depois marcando dois tempo na segunda parte. Foi utilizado também a dinâmica( forte e fraco )com os sons dos bichos.

Ô la la ô le le fui na fazendinha do mestre Zé 2 vezes

na fazendinha do mestre Zé eu encontrei?

Leão, gatinho, boi, vaca...

Na aplicação dessa atividade, Pude perceber que os alunos já sentem a preparação dos acordes e assim começam a cantar na hora certa.

Foi aplicada uma atividade a qual Mauricio desenhou no quadro algumas figuras geométricas e atribuíram sons diferentes a cada uma delas.

Circulo= falar uh

x= bater palma

Triangulo=bater o pé

No final da aula foi feita uma apresentação dessa atividade para a professora que parabenizou a turma pela leitura dos símbolos geométricos.

Durante o desenvolvimento dessa atividade, pude perceber que o aluno tem facilidade para a associação dos sons as figuras. Mauricio me explicou que a turma do primeiro ano tem poucos alunos novos e por isso a maioria já tiveram aulas de música no grupo cinco. Acredito que quanto mais cedo começarem a estudar música mais facilidade terão nas futuras execuções das atividades.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Segunda visita à Escola Carmelitana

As aulas de música iniciarão no dia 12 de março. Hoje fui à Escola Carmelitana para reunião com o professor Davi a fim de programar as atividades que acontecerão durante este ano.
Ao chegar, encontrei-o ajudando o eletricista da escola, pois no fim de semana a cozinha ficou sem energia eletrica e a geladeira estava desligada. Tenho apredido muito com ele. Além de ministrar aulas, ele tem me mostrado que o professor deve estar disposto a contribuir para o desenvolvimento em tudo que for possível, interagindo assim com outros departamentos.
Assim que o professor terminou de resolver o problema que havia ocorrido na cozinha, nos reunirmos e ele me mostrou o projeto da escola para o ano de 2012. Este ano a escola estará incetivando a leitura.

domingo, 4 de março de 2012

Primeira Visita a Escola Carmelitana no ano de 2012

No dia 29 de Fevereiro de 2012, realizei a primeira visita a Escola Carmelitana Menino de Jesus.
As aulas de música terão início no dia 12 de Março.
Neste dia acompanhei o professor Davi enquanto ele fazia a revisão nos equipamentos da escola: Som, Computador e também teste cabos utilizados nestes aparelhos.
Neste dia auxilei o professor nas atividades que ele realizou na escola, e conheci a sala onde irá acontecer as aulas de música.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Volta às aulas: Conceitos e preconceitos...

E lá vou eu em minha segunda visita à Escola Carmelitana ( a primeira foi no ano passado já no final do ano)

As aulas começaram com uma recepção calorosa aos novos alunos, lá eles têm uma música própria para desejar boas vindas e, além de muita animação, era muito engraçado ver o nosso supervisor Davi dando “pulinhos”,“ rodadinhas” e “gritinhos” em meio a toda aquela criançada.

Meu companheiro, Tiago, também estava lá, marmanjão se comportando como uma criança. Naquele momento fiquei meio sem reação e até criticando um pouco aquele comportamento, afinal para mim é muito difícil mergulhar nesse universo infantil. Ao término da recepção, todos os alunos foram para sala e Tiago e eu acompanhamos o professor Davi até a biblioteca da escola. Perguntei a ele se ele não precisou vencer certo preconceito pessoal e ele me respondeu de uma maneira muito inteligente: “Se você pensar que não é um estranho e sim um deles fica mais fácil”, eu já havia perguntado isso para outros colegas que lidavam com crianças, inclusive com a musicalização infantil lá na escola de música, mas nunca tinha ouvido nada tão satisfatório.

Ele estava verificando os últimos toques para a instalação de um televisor e um aparelho de DVD, aumentando assim as utilidades da biblioteca; também estavam lá outros dois membros da coordenação. Vendo aquilo fiquei pensando comigo: “Dizem que faltam recursos para a educação, então deve ter sido muito difícil conseguir verba para comprar esse material; como será que a escola deu importância a existência de uma sala de vídeo?” Então perguntei ao professor Davi, que me respondeu juntamente com uma das coordenadoras de que isso na verdade era fruto de uma equipe atuante dentro da escola, capaz de entender como se processa a política de recursos e administrá-la em conjunto objetivando o bem estar dos alunos “Queremos que os alunos tenham vontade de vir à escola e tenham este lugar como uma verdadeira fonte de motivação”, achei interessante, pois estudei em escola pública por três anos no ensino fundamental e o que mais via era o descaso dos professores quanto à qualidade do ensino e ao bem estar dos alunos, e essa preocupação não se limitava ao professor Davi, fui mandada para a sala de aula para observar o comportamento dos alunos do 5° ano e, antes de começar, a professora me deu uma “ficha” geral e individual da turma, me contando como era a realidade particular de cada um deles, suas dificuldades na escola e na vida particular, além do comportamento de cada um em sala. Queixou-se de não poder dar uma maior assistência para cada um deles, pois também tinha sua vida familiar e pelo seu cansaço, pois há muitos anos se dedica arduamente á profissão. Este último eu também havia percebido pela voz e pela forma de lidar com os meninos, parecia conhecê-los há muito tempo.

No quadro havia um questionário que perguntava desde dados pessoais como nome completo dos pais ou responsáveis até coisas bem subjetivas como “qual é o seu sonho? “Qual sua meta para o 5° ano?”

Apesar das perguntas serem respondidas individualmente, havia uma aluna que praticamente copiou o dever da colega como se fosse o dela, a professora que já conhecia esse comportamento mandou ela me pedir ajuda para fazê-lo. Então, nós apagamos as respostas copiadas, uma por uma, e eu repeti para a menina as perguntas e esclareci dúvidas, o que deu outro formato para a atividade “agora sim ficou legal, quando você copia, ela não fica com sua cara”! Perguntei para a professora: “já que você conhece a realidade dela, me explique o porquê dela não se esforçar para fazer uma atividade tão fácil como essa.” – Deve ser pelos pais darem muita proteção, respondeu e continuou:

-”Muitos deles, quando passo a atividade para casa, não fazem, já mostrei para Davi como é que eles estão”; se queixa; isso me leva a pensar o quanto é importante que o professor seja comprometido com a educação e não apenas com o conteúdo; quem não entende isso, diante do que vi, pensaria: Que é que o professor de música tem a ver com isto?

De volta à biblioteca, vi muitos livros que falavam sobre a mitologia dos Orixás em linguagem infantil, e fiquei surpresa, já que a escola tem o nome católico poderia ter uma implícita intolerância religiosa. Meu supervisor então disse: “Não devemos ver isto como religião mas sim como cultura, ela é a identidade do nosso povo”

O Título do presente relato se define pelo fato de ter havido, em diferentes momentos, preconceitos de várias partes (principalmente da minha, já que eu sou a principal observadora em questão), porém facilmente quebrados e estabelecidos como conceitos que podem (por que não?) se tornarem também preconceitos. O primeiro dia de aula é, e sempre será mágico, por ser formado por elementos que aparecem e desaparecem inexplicavelmente por trás de um truque.Isso o torna único e mitológico.

O final de minha visita foi algo um tanto ecumênico: Um católico descrevendo para uma messiânica uma missa em latim acompanhada por tambores, onde é comparado o sofrimento dos negros ao sofrimento de Cristo. Mais uma vez quebramos preconceitos e estabelecemos o conceito de que nenhuma idéia sobrevive eternamente, como diria os budistas: “tudo passa”...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Míni gincana musical

    No dia 23 de janeiro desse ano, realizei a minha oficina que teve como objetivo norteador trabalhar questões éticas, por meio de dinâmicas com e sem a presença de conteúdos musicais, bem como trazer a prática da Yoga como possibilidade de integração corpo e mente para os presentes e num momento posterior para a sala de aula. É importante lembrar que essas questões são por muitas vezes negligenciadas em nossas instituições de ensino de um modo geral.
   Para começar, trabalhamos algumas posições de Yoga buscando trazer a consciência para cada movimento realizado, de forma tranquila, tentando desacelerar em relação à correria desse nosso mundo louco.
   Num segundo momento, realizamos uma dinâmica onde os participantes, divididos em duas equipes em igual número, receberam balões nas cores verde e branca contendo neles nomes de música e alguns papeis em branco. Os mesmos foram amarrados na perna de cada participante, cada equipe com suas respectivas cores. Eles tinham que correr pela sala defendendo seus balões e tentando estourar o balão dos componentes da equipe adversária, assim que alcançavam tal objetivo, sentavam-se  em cadeiras localizadas no fundo da sala. Venceria a primeira etapa aquela que acumulasse o maior número de papeis, sendo atribuído a cada papel uma pontuação.
      Em seguida, a partir do que estava escrito nos papeis, ou seja, nome de algumas músicas como Eguinha pocotó, Robocope gay entre outras, os participantes tinha que fazer mímicas das mesmas para que os outros componentes da equipe dissessem a qual música se referia. Algo interessante é que independente da quantidade de papeis que cada equipe tinha tirado, cada uma delas teve a oportunidade de concorrer de forma que as duas alcançassem a vitória no final. Curioso ainda é que mesmo uma das equipes ter saído em grande desvantagem no início a competição acabou empatada.
      Seguimos a oficina apresentando o prêmio para o primeiro colocado e para o segundo. Todos ficaram curiosos, pois no início da Míni gincana havia mostrado uma sacola com o prêmio dentro para o vencedor, porém, o que tinha lá ficava escondido aos olhos dos participantes. Primeiro entreguei pedaços de papel, de tamanhos semelhantes, para o primeiro e para o segundo colocado. Nesse momento escrevemos algo que desejávamos para nós mesmos, expliquei que em seguida dobraríamos um origami de forma mais uma vez a trazer a consciência para aquele momento. Por fim eles descobriram que se tratava de um cisne que logo depois foi compartilhado com os demais participantes, ou seja, cada um compartilhou o que tinha construído com outro participante.
      Por último sentamos e refletimos sobre alguns questões relacionadas às atividades realizadas, tais como: solidariedade; perder/ganhar; a possibilidade e importância de trabalhar questões éticas e compreensão dos sentimentos em sala de aula, dentre outras.
      Além do mais, pode ser inferido outro valores éticos nas atividades que estão a cima descritas e fica a oportunidade para que pensemos mais sobre a importância de abordar e trabalhar conteúdos que tangem às relações humanas, convivência e respeito à individualidade do outro e compreensão dos sentimentos vivenciados a partir de jogos (musicais ou não) na sala de aula.

De volta as aulas Escola Santa Barbara 28.02.2012


No primeiro contato com os alunos depois das férias, foram observadas duas turmas com perfis bem parecidos.

Na turma do segundo ano, o professor Mauricio iniciou a aula identificando os alunos que não estudavam na santa Barbara e perguntou aos da casa do que eles se lembravam do ano passado. Logo depois, Mauricio pediu aos alunos que se levantassem em fila indiana de maneira que formou uma roda envolta das carteiras. Depois de formado o circulo, foi feita a apresentação da turma utilizando ritmo ou movimentos corporais a partir da separação silábica do nome de cada um.Nós observadores Rodrigo Sá, Alan e Tiago também nus apresentamos e criamos divisões para alunos que se sentiram tímidos.

Na turma do primeiro ano, Mauricio iniciou a aula perguntando aos novatos o nome da antiga escola que eles estudavam.Nessa aula Mauricio levou o violão e as clavas que o acompanharam na música da fazendinha do Zé e na música do relógio.foi feita também uma atividade na qual os alunos associavam figuras geométricas a sons a exemplo:

Triangulo= bate palma

Quadrado= estalo com a língua

Circulo=solta beijo

Ainda nessa atividade foram chamados alguns alunos ao quadro para desenhar seqüências com as figura geométricas e depois executar o som que cada uma representava.

Portanto, pude perceber que as duas turmas são bem parecidas, numero de alunos, faixa de idade e um bom comportamento que de fato contribuiu para o sucesso das atividades aplicadas. Acredito que com o decorrer das observações, possa entender o cotidiano e assim diagnosticar facilidades e dificuldade encontradas no decorrer das aulas de música.